Um homem entra em uma determinada farmácia, e fazendo uso de suas atribuições, como fiscal alega que o farmacêutico está indevidamente vendendo amostras grátis, e aplica-lhe uma considerável multa.
Não apenas por causa do transtorno financeiro que aquilo iria causar, mas principalmente por uma questão de honra, o proprietário rebatia ardorosamente a atitude temerária daquela autoridade.
Sendo o espaço comercial uma extensão de sua própria residência, a notícia espalhou-se casa a dentro, deixando todos em polvorosa, e por se tratar de um lar cristão, sua sogra imediatamente se pôs a interceder por ele, em oração.
Ao mesmo tempo lá fora, enquanto o digníssimo, de maneira intransigente, insistia em promulgar a pena sob os protestos de sua vítima, que tentava convencê-lo de que tudo não passava de um equívoco, repentinamente sofre uma convulsão e cai estrebuchando-se todo, sendo, de imediato, socorrido pelo dono da farmácia.
Após algum tempo, ao se recobrar do acesso, viu-se no quarto, em uma cama, circundado dos devidos cuidados que os da casa lhe dispensavam. Ao recuperar inteiramente os sentidos levantou-se, e com aquele jeito sem graça acompanha o proprietário que, cortesmente, o convida para concluir o fato.
Quando já, com a caneta em mãos, por fim, disposto a assinar o tal documento, surpreende-se quando o convalescente fiscal, numa atitude não menos nobre, toma a folha e a rasga, endereçando-a à lixeira. Por fim, todo desajeitado, desculpa-se, e se vai.
Este episódio, contado por minha tia Cleia, refere-se ao meu avô paterno, Antenor Ferreira Júlio de Medeiros, profissional formado em Bioquímica e Farmácia pela Faculdade de Ouro Preto, e falecido no ano de 1968. Paulo C Denúbila 26/ 02/ 2015
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